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Quem é você?

“- Você o que é?
– Definir é limitar.”
O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde

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Sempre pensei que eu não tinha personalidade por estar em constante mudança. Pensava que não seria original por não ter meus gostos definidos por gêneros.

Quando na escola eu falava que gostava de ouvir Guns n’ Roses, meus amigos diziam que eu era “rockeira”. Achava ridícula essa definição. Mas após um tempo fui me sentindo presa pois pensava que se começasse a escutar alguma banda de pop, ou indie estaria “traindo o movimento” e de alguma forma decepcionando aqueles amigos que esperavam me ver sempre ouvindo bandas de rock, enquanto que aquelas pessoas não tinham nada a ver com a minha vida, e mesmo assim eu me sentia “vigiada” e como se devesse algo para eles.

Mas me diz uma coisa: do que adianta você se definir sendo que isso te limitará de conhecer coisas novas que poderão agregar sentido a sua vida? Do que adianta ficar pensando em como agradar os outros com a sua imagem impecável sendo que você não se sente livre para expressar quem você é? Não que você não será menos fã de uma banda se escutar um estilo completamente diferente dela. Existem tantas músicas, livros, filmes bons por aí para ficar se limitando a viver em uma caixa e não abrir a mente. Existem tantas possibilidades para que possamos crescer como pessoas sabendo interagir sobre vários assuntos, sabendo conversar e se expressar, e até julgar qual estilo se encaixa melhor para você.

Agora, o que não dá é fechar os olhos para o mundo como se só existisse o seu mundo nele. Como se só o que você fizer é considerado certo e único, como se a nossa vida não valesse a pena pelo fato de você se decretar vencido antes mesmo de lutar. Definir-se é o mesmo que desistir de si mesmo, das tantas possibilidades que as pessoas poderiam encontrar em você, no seu potencial e nas suas atitudes como uma pessoa capaz de abrir a mente e enfrentar qualquer problema.

Existem coisas que você pode definir, como por exemplo seu caráter, sua essência, se você será uma pessoa boa ou má, se você tem sensibilidade, é amiga, companheira, etc. Mas o que friso neste texto é a definição de gostos, que são coisas que também formam a sua personalidade, pois também dizem quem você é. Não que devamos ser ecléticos, mas sim, abertos a qualquer possibilidade. Só vou saber se não gosto de algo se primeiro experimentar.

Como dizia Cazuza, na música “Ideologia”:

“(…)Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
(…)
Ideologia
Eu quero uma pra viver(…)”